quarta-feira, 13 de maio de 2015

«Vírus limpa águas contaminadas sem fazer mal aos homens»

Ficha de Leitura nº7

Unidade: Imunidade e Controlo de Doenças/Preservar e Recuperar o Meio Ambiente

Assunto: Nova técnica, desenvolvida pela Universidade de Aveiro, consegue descontaminar águas usando um vírus  inofensivo para o  Homem.

Resumo: Investigadores do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro desenvolvem nova técnica de descontaminação das águas das pisciculturas, recorrendo a fagos (vírus inofensivos ao Homem) e não a químicos e antibióticos. Estes vírus conseguem eliminar as bactérias contaminantes, descontaminando a água, promovendo uma diminuição do risco para a saúde pública.

Noticia: 

Até agora, o que se fazia não era bonito de se ver. Para descontaminar as águas das pisciculturas era preciso lançar doses e doses de químicos e antibióticos. Toda essa poluição pode ter os dias contados. Há nova técnica desenvolvida pelos investigadores do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, que consegue eliminar as bactérias usando um vírus,  inofensivo para os homens.

A terapia fágica – assim se chama o novo método por utilizar os fagos, vírus que destroem apenas bactérias e que são inócuos para os humanos – reduz mil vezes mais o número de bactérias presentes na água e faz decrescer substancialmente o impacto ambiental e os riscos para a saúde pública derivados da utilização massiva de outros descontaminantes.

“Face à importância da aquacultura para compensar a redução das populações piscícolas naturais e com vista a diminuir as perdas económicas devidas às infecções bacterianas comuns nessa actividade, desenvolvemos um novo procedimento para descontaminar as águas piscícolas”, explica Adelaide Almeida, coordenadora deste trabalho.

Embora a vacinação seja o método ideal para impedir infecções, ressalva a bióloga, “as vacinas disponíveis são ainda limitadas e podem ainda ser pouco activas nas primeiras fases de vida dos peixes, quando o sistema imunitário ainda não está totalmente desenvolvido”. Por outro lado, avisa a bióloga, a administração de antibióticos (quimioterapia) apesar de ser geralmente eficaz, pode levar, através do seu uso frequente ao desenvolvimento de resistências, que “fatalmente acabam por se transmitir aos microrganismos que infectam os seres humanos”. O relatório da Organização Mundial de Saúde de 2013 estima inclusivamente que nenhum dos antibióticos actualmente em uso será eficaz dentro de cinco anos.

Há portanto uma “necessidade urgente” de medidas inovadoras e eficazes no combate a estas infecções, alerta a investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Academia de Aveiro. Por outro lado, de um modo geral, acrescenta Adelaide Almeida, ainda se vê o peixe proveniente de aquacultura como um produto de qualidade inferior ao peixe selvagem, o que é associado muitas vezes à presença de antibióticos. E a utilização alternativa da terapia fágica pode levar à alteração do comportamento dos consumidores relativamente ao consumo de peixe produzido em aquacultura, com vantagens evidentes para essas empresas, defendem os biólogos da Universidade de Aveiro.


Fonte: http://www.ionline.pt/270634


Células estaminais podem originar cancro

Ficha de leitura nº9

Unidade: Imunidade e controlo de doenças 


Assunto: Desenvolvido novo estudo que indica que células estaminais podem originar cancro.


Resumo: Uma mutação nas células estaminais pode conduzir à existência de um cancro, segundo um estudo desenvolvido pelo investigador português Dinis Calado. Este tema vai ser discutido numa convenção que se vai realizar na Universidade do Porto, em que se vai avaliar o comportamento das células estaminais de modo a perceber como é que essas células quando cancerígenas, podem ser retiradas.

Noticia: O investigador português Dinis Calado, do Francis Crick Institute, no Reino Unido, diz que as células estaminais podem sofrer mutações e originar vários tipos de cancro.

"Vários tipos de cancro têm origem nestas células, que por si só não têm uma capacidade proliferativa muito grande, mas que, devido a mutações que poderão ocorrer, perdem essa restrição e acabam por proliferar muito. O tumor é constituído por vários tipos de células e dentro desses grupos de células existirão algumas que têm uma capacidade percussora do tumor", explicou à Lusa o investigador.

Dinis Calado falava, esta quinta-feira, no âmbito do Porto Cancer Meeting, a decorrer até sexta-feira, no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), sobre o tema "Células Estaminais e o Cancro".

"Tentar perceber como é que células estaminais normais funcionam talvez ajude a perceber como é que essas células cancerígenas que poderão ter características de células estaminais nos tumores poderão ser eliminadas. E, assim, fazer com que os tratamentos sejam mais eficazes", sublinhou.

Dinis Calado desenvolve investigação na área da genética em ratinhos, no The Francis Crick Institute.
"Tentamos modelar doenças cancerosas do foro sanguíneo, tais como leucemia e linfomas. Fazemos uma comparação de tumores entre espécies para tentar encontrar mutações que são conservadas de forma evolutiva. Apesar de sermos muito diferentes dos ratinhos, como é óbvio, a formação de cancros tem mutações que são idênticas. Às vezes, o que acontece em tumores humanos é que há muitas mutações e não sabemos quais as que devemos estudar. Então, uma comparação entre espécies diferentes poderá ajudar-nos a priorizar quais as mutações a estudar", explicou.

Com o tema "Células Estaminais e o Cancro", a XXIII edição do Porto Cancer Meeting reúne especialistas portugueses na área a trabalhar em centros de investigação nacionais, investigadores portugueses que estão no estrangeiro em centros de referência nesta matéria e ainda especialistas estrangeiros vindos de todo o mundo.

O principal objetivo é "conseguir juntar, num ambiente informal, vivo e cientificamente dinâmico, investigadores, estudantes e todos os que trabalham em cancro na discussão à volta de um tema chave do cancro. Aliás, tem sido hábito do Porto Cancer Meeting promover, durante e após a reunião, a interação entre grupos, criando as condições para novas colaborações, ou seja, aumentar as parcerias de investigação e a mobilidade de estudantes", salienta a organização.

Este ano, as comunicações centram-se na relevância das células e das características estaminais no cancro para a progressão tumoral, nomeadamente a sua agressividade, heterogeneidade e resistência à terapia.
Até sexta-feira, estarão reunidos no Auditório do Ipatimup, mais de 150 profissionais da área do cancro.

Fonte: Jornal de Notícias


Concentração recorde de dióxido de carbono na atmosfera

Ficha de leitura nº8

Unidade: Preservar e recuperar o meio ambiente

Assunto: Elevada concentração de gases poluentes na atmosfera.

Resumo: A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera atingiu um nível recorde em Março (400 ppm), mais um sinal evidente do aquecimento global. Esta questão tem sido alvo de discussões, mas para começar a diminuir as emissões de CO2, seria preciso reduzir em 80% o uso de combustíveis fósseis.

Noticia: Em março, a concentração mundial média mensal do CO2 na atmosfera ultrapassou pela primeira vez o patamar das 400 partes por milhão (ppm).
A concentração de CO2 na atmosfera é medida em termos de partes por milhão, isto é, quantas moléculas de CO2 existem por milhão de moléculas de ar seco, ou seja, depois de o vapor de água ter sido removido.
"Isto era uma questão de tempo", sublinhou o principal cientista encarregado do acompanhamento dos gases com efeito de estufa na agência norte-americana para os Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em Inglês), Pieter Tans.
Especificou que as estações de medida da agência já tinham sinalizado a ultrapassagem das 400 ppm no Ártico, na primavera de 2012, e no Havai, em 2013.
Agora, "atingir o patamar das 400 ppm no conjunto do mundo é significativo", considerou o cientista.
O aquecimento global, resultantes dos gases com efeito de estufa, vai estar no centro da conferência que a Organização das Nações Unidas está a preparar para Paris, em dezembro.
A reunião deve conduzir a um acordo vinculativo para mais de 190 países na luta contra o aquecimento global do planeta para o limitar a dois graus centígrados em relação à era industrial.
Até à revolução industrial do século XIX e ao recurso massivo às energias fósseis, a taxa de CO2 na atmosfera não terá ultrapassado as 300 ppm durante pelo menos 800 mil anos, segundo os estudos feitos no gelo polar.
"Isto mostra que a combustão do carvão e do petróleo causou um aumento em mais de 120 ppm as concentrações de CO2 desde a era pré-industrial, metade da qual desde 1980", pormenorizou Pieter Tans.
A Agência Internacional de Energia anunciou em 13 de março que o aumento das emissões mundiais de CO2, provenientes da combustão de energias fósseis, tinha sido interrompido em 2014, quando estabilizou no nível de 2013.
Mas estabilizar a taxa de emissões de gases com efeito de estufa é insuficiente para impedir as alterações climáticas, sublinhou Tans.
Segundo James Butler, um dirigente da NOAA, "seria preciso eliminar cerca de 80% das emissões de CO2 provenientes da combustão de combustíveis fósseis para realmente parar aumento de CO2 na atmosfera".
Mas, explicou, "as concentrações de dióxido de carbono não vão começar a diminuir antes de reduções mais drásticas do CO2 e, mesmo depois, a diminuição as concentrações vai ser lenta".
Os dados da NOAA mostram com efeito que a taxa média de aumento das concentrações do CO2 na atmosfera tem sido de 2,25 ppm por ano de 2012 a 2014, ou seja, o nível mais elevado alguma vez registado em três anos consecutivos.
Sinal de que a tendência continua a ser de subida, o observatório da NOAA no Havai, em Mauna Loa, continuou a medir uma taxa superior a 400 ppm em abril. Este observatório, que data de 1958 e é a mais antiga estação de medida do mundo, registou uma taxa de CO2 de 401,3 ppm, quando em 2013 o limite das 400 ppm só foi superado em dois dias.

Fonte: Jornal de Noticias

PORTUGUESA DESENVOLVEU NOVO MÉTODO DE DETEÇÃO DO CANCRO ORAL

Ficha de leitura nº7

Unidade: Imunidade e controlo de doenças
Assunto: Desenvolvimento de um método que deteta se pode surgir cancro oral de uma determinada lesão.

Resumo:Uma jovem investigadora de Castelo de Paiva desenvolveu um novo método de diagnóstico do cancro oral, a partir da colheita de células, inovação que já recebeu dois prémios e está a ser avaliada pelo INFARMED para comercialização.

Notícia:

Paula Melo, de 29 anos, explicou à Lusa que o método, designado "Blue Stain", permite aos médicos-dentistas um diagnóstico precoce quase imediato, avaliando se determinada lesão tem risco de evoluir para cancro.
A investigadora licenciada em anatomia patológica e a fazer o doutoramento em patologia e genética molecular na Universidade do Porto frisou que a nova técnica é muito menos invasiva e mais rápida para os doentes do que os métodos atuais baseados em biópsias.
"Além da rapidez não é necessário pessoal técnico para processar a amostra", explicou.
Premiada pela ANJE
O desenvolvimento tecnológico foi premiado em 2014 pela Associação Nacional de Jovens Empresários. Mais recentemente, foi distinguido, em Coimbra, com o prémio "Arrisca C", de 22.500 euros, um concurso que reconhece os projetos inovadores na perspetiva de negócio.
Para Paula Melo, os dois prémios são o corolário do trabalho que tem desenvolvido em colaboração com o médico-dentista Fernando Ferreira.
"É a prova de que se trata de um projeto credível e que tem despertado grande interesse da comunidade científica", comentou à Lusa.

Se a avaliação do Blue Stain foi positiva por parte do INFARMED, a investigadora espera que o dispositivo médico possa ser colocado, em breve, nos mercados nacional e internacional.
Acrescentou que o método tem despertado grande interesse na comunidade científica, com um investimento de investigadores privados, já concretizado, superior a 200.000 euros.
O facto de ser natural de Castelo de Paiva constitui para a jovem um fator acrescido de motivação, para quem, frisou, apesar de estar num pequeno concelho do interior, é possível "mostrar capacidade e dinamismo" junto da comunidade científica.
"Perceber que o meu trabalho tem sido motivo de consideração pela comunidade científica deixa-me obviamente satisfeita e dá-me uma responsabilidade acrescida", concluiu.

Fonte: sapolifestyle

domingo, 10 de maio de 2015

Vírus alterado geneticamente prolongou a vida a doentes com cancro de fígado

Ficha nº 9
Unidade de ensino:Engenharia genética
Conteúdo/assunto: Vírus alterado geneticamente
Resumo:Doentes de cancro de fígado em fase terminal tiveram um prolongamento médio de vida entre os seis e os 14 meses quando receberam um vírus chamado JX-594. Resultados são inéditos, diz equipa que pertence à farmacêutica Jennerex.

fonte: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/virus-alterado-geneticamente-prolongou-a-vida-a-doentes-com-cancro-de-figado-1584177

Um vírus alterado geneticamente foi testado em 30 pacientes com cancro de fígado terminal e prolongou significativamente o tempo de vidas destes doentes, reduzindo o tamanho dos tumores e inibindo o crescimento de novas massas tumorais, indica um estudo publicado no domingo na revista Nature Medicine.
O vírus, chamado JX-594 ou Pexa-Vec, foi administrado a 30 pacientes em doses diferentes durante um mês. Dezasseis receberam uma dose alta e sobreviveram em média mais 14,1 meses, os outros 14 pacientes, que receberam uma dose baixa, viveram mais 6,7 meses, em média.
“Pela primeira vez na história da medicina, mostrámos que um vírus alterado geneticamente pode aumentar o tempo de sobrevivência dos doentes de cancro”, diz à AFP David Kirn, co-autor do estudo e que pertence à farmacêutica Jennerex, sediada em São Francisco, nos Estados Unidos.
“Apesar dos avanços no tratamento do cancro nos últimos 30 anos com a quimioterapia e as terapias biológicas, a maioria dos tumores sólidos permanece incurável quando desenvolve metástases”, escreveram os autores no artigo, referindo-se ao momento em que as células cancerígenas de um tumor se espalham pelo corpo, fazendo crescer tumores noutros locais. Os resultados do ensaio da vacina Pexa-Vec podem ser uma boa notícia para estas situações extremas.
O vírus foi injectado directamente no fígado para atacar o tumor principal, mas acabou por ter os mesmos efeitos nos tumores secundários, reduzindo o seu tamanho. O que mostra que o vírus se espalhou pelo corpo. “Alguns tumores desapareceram completamente, e nos exames de ressonância magnética, a maioria dos tumores foi parcialmente destruída”, diz David Kirn. Dois dos pacientes que foram sujeitos à maior dose da vacina continuaram vivos passados dois anos do tratamento.
O vírus ataca directamente dois genes que estão mais activos nas células cancerígenas, um dos genes estimula o multiplicação do cancro, o outro estimula o crescimento de vasos sanguíneos que levam o sangue e o alimento para as células cancerígenas. Com esta experiência, a equipa conseguiu reduzir a actividade em ambos os genes, o que faz diminuir a vascularização dos tumores e acaba por matar as células.
Os efeitos secundários do vírus foram mais suaves do que os efeitos secundários dos tratamentos clássicos contra o cancro. Todos os pacientes tiveram sintomas parecidos com uma gripe nos dois dias após a administração do vírus e um deles teve náuseas fortes e vómitos nos dias seguintes aos tratamentos.
“Este ensaio clínico é um entusiasmante passo em frente para ajudar a encontrar novas formas de tratar os cancros”, diz Alan Melcher à revista New Scientist. O investigador pertence à Universidade de Leeds, no Reino Unido, e não esteve envolvido no estudo. “Este trabalho ajuda a demonstrar o potencial dos vírus de serem armas contra o cancro, que têm poucos efeitos secundários comparando com a quimioterapia ou a radioterapia. Se o vírus se mostrar eficaz em ensaios mais alargados, pode estar disponível para os pacientes dentro de cinco anos”, defende.
Os autores do estudo já anunciaram a continuação dos ensaios, desta vez em 120 pacientes, de acordo com a AFP. O vírus Pexa-Vec também está a ser testado em pacientes com outros cancros. Este vírus já tinha sido utilizado na vacina contra a varíola.

Terapia genética permitiu aumentar resistência contra o VIH de pessoas infectadas

Ficha nº 8
Unidade de ensino:Engenharia genética
Conteúdo/assunto:Mais eficiência contra VIH
Resumo: Inactivando um gene nas células imunitárias humanas, foi possível, pela primeira vez, reproduzir parcialmente, no organismo de pessoas seropositivas, uma mutação natural que torna os seus portadores imunes ao vírus da sida.

fonte: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/terapia-genetica-permitiu-aumentar-resistencia-contra-o-vih-de-pessoas-infectadas-1627426


Uma equipa de cientistas norte-americanos conseguiu manipular geneticamente as células imunitárias de pessoas seropositivas e fazer assim diminuir a carga viral de algumas delas, que entretanto tinham interrompido o seu habitual tratamento antiretroviral. Os resultados foram anunciados esta semana na revista The New England Journal of Medicine.
“Este é o primeiro grande avanço na área da terapia genética do VIH desde que foi demonstrado que o ‘doente de Berlim’, Timothy Brown, estava livre do VIH”, disse John Rossi, do centro do cancro City of Hope na Califórnia, citado no site da revista Nature.
Recorde-se que o chamado “doente de Berlim”, que parece ter conseguido expulsar totalmente o vírus VIH após um transplante de medula óssea, é actualmente o único caso no mundo de remissão de longo prazo num adulto com VIH.
O que faz do “doente de Berlim” um caso único é o o facto de aquele homem seroposivo ter recebido, para tratar uma leucemia, medula óssea proveniente de um dador que apresentava uma mutação num gene chamado CCR5. Ora, sabe-se há muito tempo que essa mutação, que ocorre naturalmente em cerca de 1% da população, inactiva aquele gene e faz com que a proteína por ele fabricada deixe de aparecer à superfície dos linfócitos T, os alvos preferenciais do VIH. E como isso impede a entrada do VIH nessas células, as pessoas portadoras de mutações do gene CCR5 herdadas de ambos os seus pais são imunes ao vírus da sida – e as que só a herdaram de um dos progenitores são-no parcialmente. Infelizmente, para além dos transplantes de medula óssea apresentarem riscos, seria difícil encontrar, para cada pessoa seropositiva, um dador de medula óssea compatível e portador integral da mutação.
Todavia, foi o sucesso com o “doente de Berlim” que inspirou a abordagem terapêutica agora testada, num ensaio clínico de primeira fase, por Pablo Tebas, da Universidade da Pensilvánia (EUA) e colegas.
Entre Maio de 2009 e Julho de 2012, estes cientistas administraram a cada uma de 12 pessoas seropositivas uma dose dos seus próprios linfócitos T, previamente colhidos e manipulados no laboratório de forma a desactivar o gene CCR5 e simular assim a mutação protectora natural. A operação, realizada graças a um composto disponível comercialmente – uma enzima chamada “nuclease dedo de zinco”, que corta o gene CCR5 à maneira de uma autêntica tesoura – permitiu induzir artificialmente a disrupção do gene CCR5 em cerca de 25% dos linfócitos T tratados, salienta ainda a Nature.
Segundo explica por seu lado em comunicado a Universidade da Pensilvânia, nessa altura, seis das pessoas tratadas interromperam totalmente, durante algumas semanas, os cocktails de antirretrovirais que tomavam para manter o VIH sob controlo. As outras seis continuaram a tomar os medicamentos.
Uma semana depois, os cientistas constataram, nas pessoas que tinham interrompido o tratamento químico, um marcado pico no número de linfócitos T manipulados presentes no organismo. E apesar de esses níveis terem vindo a descrecer ulteriormente, permaneceram elevados nas semanas que se seguiram à inoculação. Os autores também observaram a presença de linfócitos T mutados no tecido imunitário da mucosa intestinal dessas pessoas, tecido que se sabe ser um importante “esconderijo” do vírus da sida no organismo. São aliás estes reservatórios latentes que fazem com que o vírus ressurja, passados uns tempos, quando o tratamento antirretroviral é interrompido.
Um outro resultado promissor foi a diminuição da carga viral do VIH em quatro das pessoas que tinham interrompido os seus tratamentos, com o vírus a tornar-se mesmo indetectável numa delas. Os cientistas descobririam mais tarde a explicação deste fenómeno isolado: uma parte dos linfócitos T dessa pessoa já apresentavam, naturalmente, a mutação protectora, herdada de apenas um dos seus progenitores, o que lhe conferia à partida uma vantagem imunitária em relação aos outros participantes.
“Este estudo mostra que podemos, em condições seguras e efectivas, modificar os próprios linfócitos T de uma pessoa infectada pelo VIH para imitar uma resistência natural ao vírus, introduzir essas células no corpo da pessoa e potencialmente manter a carga viral sob controlo sem recorrer a medicamentos”, diz Carl June, co-líder do estudo com Tebas, no mesmo comunicado. “E reforça a nossa ideia de que os linfócitos T modificados são a chave que poderá um dia permitir eliminar a necessidade de tomar medicamentos durante toda a vida e conduzir a abordagens funcionalmente curativas do VIH/sida”.

Criado primeiro organismo vivo com “letras” artificiais dentro dos genes

Ficha nº 7
Unidade de ensino: Engenharia genética
Conteúdo/assunto: Primeiro organismos artificial
Resumo:O ADN da nova bactéria, que se reproduz mais ou menos normalmente, integra componentes de base que não existem na natureza, expandindo assim, pela primeira vez, o “alfabeto” do código genético.

Fonte: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/criado-primeiro-organismo-vivo-com-letras-artificiais-dentro-dos-genes-1635002

O património genético dos seres vivos sempre se escreveu com quatro letras apenas – A, T, G, C. É assim que são designadas as quatro moléculas, ou bases, que formam a grande cadeia de ADN que todos temos nas nossas células. Mas a partir desta quarta-feira, o chamado código genético passou a ter… mais duas letras, totalmente artificiais e nunca vistas na natureza. O avanço, que segundo os autores abre o caminho a aplicações que vão da medicina à nanotecnologia, foi anunciado na revista Nature.
O que os cientistas, liderados por Floyd Romesberg, do Instituto Scripps (EUA), conseguiram fazer foi introduzir essas duas novas moléculas no ADN de uma bactéria que, apesar das intrusas, continuou a ter uma vida – e uma reprodução – essencialmente normais.
As letras do código genético não se combinam de qualquer maneira, mas apenas para formar dois pares: A-T e G-C. São estes pares de bases que constituem os degraus da longa “escada” (a dupla hélice) enrolada sobre si própria da molécula de ADN. E é este rígido emparelhamento químico que faz com que, quando uma célula viva se divide, o seu ADN seja capaz de fabricar uma cópia de si próprio. Abrindo-se tal e qual um fecho éclair, dá lugar a duas “metades” que irão cada uma reconstituir, de forma fidedigna (ligando sempre A a T e C a G), duas novas moléculas de ADN. Uma para cada célula-filha.
Desde finais da década de 1990 que o laboratório de Romesberg se lançou na pesquisa de moléculas artificiais que pudessem desempenhar o papel das bases do ADN – e que, em princípio, seriam portanto capazes de comandar o fabrico de novas proteínas e até de novos organismos, explica o Instituto Scripps em comunicado. Mas só a partir de 2008 é que os cientistas começaram a obter resultados decisivos.
A tarefa era hercúlea por várias razões. Por um lado, as moléculas que compõem o novo par de bases têm de se ligar com a mesma afinidade do que as bases habituais do ADN; também têm de permitir que o “fecho éclair” molecular se abra e se feche sem problemas, sob a acção da maquinaria natural da célula; e têm ainda de passar o crivo dos mecanismos celulares encarregados de reparar o ADN quando surgem erros de replicação. Se não for o caso, rapidamente as novas bases serão expulsas do património genético.
Em 2008, os cientistas identificaram possíveis candidatos a pares de bases e mostraram que funcionavam in vitro – ou seja, fora das células. Mas só agora é que conseguiram transpor a experiência para o interior de uma célula viva.
Ainda demoraram algum tempo a ultrapassar o que consideram ter sido o maior obstáculo: fazer com que essas duas moléculas artificiais (designadas d5SICS e dNaM) conseguissem penetrar nas células de Escherichia coli, uma bactéria comum do intestino humano muito utilizada em engenharia genética. Uma vez que estas bactérias não produzem elas próprias as novas bases, era obrigatório fornecer-lhas do exterior.
A equipa acabou por descobrir a solução em 2012: um gene vindo de uma alga, quando introduzido nas bactérias, permitia fazer exactamente isso. “Esse foi um ponto fulcral no nosso trabalho”, diz Denis Malyshev, autor principal, no mesmo comunicado. Cerca de um ano mais tarde, obtinham culturas de E. coli que, apesar de conterem material genético não natural, se multiplicavam e reproduziam o seu ADN, incluindo a parte artificial.
Os cientistas salientam que não é possível surgirem acidentalmente linhagens de bactérias com estas moléculas no seu código genético. “As novas bases só conseguem entrar nas células quando activamos” o gene vindo das algas, diz Malyshev. E mesmo assim, “se pararmos de as fornecer às células, elas desaparecem do genoma”.
“A vida na Terra, com toda a sua diversidade, está codificada por apenas dois pares de bases (…) e o que fizemos foi criar um organismo que contém esses dois pares mais um, que não é natural”, diz Romesberg. “Isso mostra que existem outras soluções de armazenamento da informação [genética] e, claro, aproxima-nos de uma biologia à base de ADN ‘expandido’, que poderá ter muitas aplicações entusiasmantes.”
A próxima etapa, dizem os autores, consistirá em mostrar que a maquinaria celular consegue transcrever o ADN semi-sintético em ARN, a molécula a partir da qual a célula fabrica as suas proteínas. “Em princípio (…), isso dar-nos-ia uma capacidade sem precedentes de fabricar proteínas feitas à medida para fins terapêuticos”, salienta Romesberg – ou para desenvolver novos nanomateriais.