Ficha de leitura nº9
Unidade: Imunidade e controlo de doenças
Assunto: Desenvolvido novo estudo que indica que células estaminais podem originar cancro.
Resumo: Uma mutação nas células estaminais pode conduzir à existência de um cancro, segundo um estudo desenvolvido pelo investigador português Dinis Calado. Este tema vai ser discutido numa convenção que se vai realizar na Universidade do Porto, em que se vai avaliar o comportamento das células estaminais de modo a perceber como é que essas células quando cancerígenas, podem ser retiradas.
Noticia: O investigador português Dinis Calado, do Francis Crick
Institute, no Reino Unido, diz que as células estaminais podem sofrer mutações
e originar vários tipos de cancro.
"Vários tipos de cancro têm origem nestas células, que
por si só não têm uma capacidade proliferativa muito grande, mas que, devido a
mutações que poderão ocorrer, perdem essa restrição e acabam por proliferar
muito. O tumor é constituído por vários tipos de células e dentro desses grupos
de células existirão algumas que têm uma capacidade percussora do tumor",
explicou à Lusa o investigador.
Dinis Calado falava, esta quinta-feira, no âmbito do Porto
Cancer Meeting, a decorrer até sexta-feira, no Instituto de Patologia e
Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), sobre o tema
"Células Estaminais e o Cancro".
"Tentar perceber como é que células estaminais normais
funcionam talvez ajude a perceber como é que essas células cancerígenas que
poderão ter características de células estaminais nos tumores poderão ser
eliminadas. E, assim, fazer com que os tratamentos sejam mais eficazes",
sublinhou.
Dinis Calado desenvolve investigação na área da genética em
ratinhos, no The Francis Crick Institute.
"Tentamos modelar doenças cancerosas do foro sanguíneo,
tais como leucemia e linfomas. Fazemos uma comparação de tumores entre espécies
para tentar encontrar mutações que são conservadas de forma evolutiva. Apesar
de sermos muito diferentes dos ratinhos, como é óbvio, a formação de cancros
tem mutações que são idênticas. Às vezes, o que acontece em tumores humanos é
que há muitas mutações e não sabemos quais as que devemos estudar. Então, uma
comparação entre espécies diferentes poderá ajudar-nos a priorizar quais as
mutações a estudar", explicou.
Com o tema "Células Estaminais e o Cancro", a
XXIII edição do Porto Cancer Meeting reúne especialistas portugueses na área a
trabalhar em centros de investigação nacionais, investigadores portugueses que
estão no estrangeiro em centros de referência nesta matéria e ainda
especialistas estrangeiros vindos de todo o mundo.
O principal objetivo é "conseguir juntar, num ambiente
informal, vivo e cientificamente dinâmico, investigadores, estudantes e todos
os que trabalham em cancro na discussão à volta de um tema chave do cancro.
Aliás, tem sido hábito do Porto Cancer Meeting promover, durante e após a
reunião, a interação entre grupos, criando as condições para novas
colaborações, ou seja, aumentar as parcerias de investigação e a mobilidade de
estudantes", salienta a organização.
Este ano, as comunicações centram-se na relevância das
células e das características estaminais no cancro para a progressão tumoral,
nomeadamente a sua agressividade, heterogeneidade e resistência à terapia.
Até sexta-feira, estarão reunidos no Auditório do Ipatimup,
mais de 150 profissionais da área do cancro.
Fonte: Jornal de Notícias
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