Ficha de Leitura nº 7
Unidade: Património Genético
Assunto: Evolução Genética
Desde que o Homo sapiens surgiu, há cerca de 50 mil anos, “a seleção natural tornou-se quase irrelevante”, escreveu, há alguns anos, o célebre paleontólogo Stephen Jay Gould (1941–2002). E acrescentava: “Não houve alterações biológicas. Construímos tudo aquilo a que chamamos cultura e civilização com o mesmo corpo e o mesmo cérebro.” Nas páginas do Centro de Psicologia Evolucionista da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, os seus diretores, Leda Cosmides e John Tooby, vão mais longe e, na introdução a este novo ramo da ciência, afirmam: “Os nossos crânios modernos alojam uma mente da Idade da Pedra.”
Ambas as afirmações constituem exemplos de uma noção que tem permeado o campo da antropologia há várias décadas: deixámos de evoluir e continuamos amarrados, tanto biológica como mentalmente, à época em que éramos caçadores-recoletores.
Todavia, diversos cientistas andam empenhados, há pouco mais de cinco anos, em desmontar esta ideia. O seu trabalho não só contesta que tenhamos ficado “ancorados” como declara que mudámos, nos últimos dez mil anos, centenas de vezes mais depressa do que em qualquer período anterior da história da nossa espécie. Há 2000 novas adaptações genéticas que não se restringem às habituais diferenças físicas entre grupos étnicos, como a cor da pele ou dos olhos. As mutações a que se referem estão relacionadas com o cérebro, o sistema digestivo, a esperança de vida, a imunidade a agentes patogénicos, a produção de esperma…
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