Ficha de Leitura nº7
Unidade: Imunidade e Controlo de
Doenças/Preservar e Recuperar o Meio Ambiente
Assunto: Nova técnica,
desenvolvida pela Universidade de Aveiro, consegue descontaminar águas
usando um vírus inofensivo para o Homem.
Resumo: Investigadores do
Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro desenvolvem nova técnica de
descontaminação das águas das pisciculturas, recorrendo a fagos (vírus
inofensivos ao Homem) e não a químicos e antibióticos. Estes vírus conseguem
eliminar as bactérias contaminantes, descontaminando a água, promovendo uma
diminuição do risco para a saúde pública.
Noticia:
Até agora, o que se fazia não era
bonito de se ver. Para descontaminar as águas das pisciculturas era preciso
lançar doses e doses de químicos e antibióticos. Toda essa poluição pode ter os
dias contados. Há nova técnica desenvolvida pelos investigadores do
Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, que consegue eliminar as
bactérias usando um vírus, inofensivo para os homens.
A terapia fágica – assim se chama
o novo método por utilizar os fagos, vírus que destroem apenas bactérias e que
são inócuos para os humanos – reduz mil vezes mais o número de bactérias
presentes na água e faz decrescer substancialmente o impacto ambiental e os
riscos para a saúde pública derivados da utilização massiva de outros
descontaminantes.
“Face à importância da
aquacultura para compensar a redução das populações piscícolas naturais e com
vista a diminuir as perdas económicas devidas às infecções bacterianas comuns
nessa actividade, desenvolvemos um novo procedimento para descontaminar as
águas piscícolas”, explica Adelaide Almeida, coordenadora deste trabalho.
Embora a vacinação seja o método
ideal para impedir infecções, ressalva a bióloga, “as vacinas disponíveis são
ainda limitadas e podem ainda ser pouco activas nas primeiras fases de vida dos
peixes, quando o sistema imunitário ainda não está totalmente desenvolvido”.
Por outro lado, avisa a bióloga, a administração de antibióticos (quimioterapia)
apesar de ser geralmente eficaz, pode levar, através do seu uso frequente ao
desenvolvimento de resistências, que “fatalmente acabam por se transmitir aos
microrganismos que infectam os seres humanos”. O relatório da Organização
Mundial de Saúde de 2013 estima inclusivamente que nenhum dos antibióticos
actualmente em uso será eficaz dentro de cinco anos.
Há portanto uma “necessidade
urgente” de medidas inovadoras e eficazes no combate a estas infecções, alerta
a investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Academia
de Aveiro. Por outro lado, de um modo geral, acrescenta Adelaide Almeida, ainda
se vê o peixe proveniente de aquacultura como um produto de qualidade inferior
ao peixe selvagem, o que é associado muitas vezes à presença de antibióticos. E
a utilização alternativa da terapia fágica pode levar à alteração do
comportamento dos consumidores relativamente ao consumo de peixe produzido em
aquacultura, com vantagens evidentes para essas empresas, defendem os biólogos
da Universidade de Aveiro.
Fonte: http://www.ionline.pt/270634
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