quarta-feira, 13 de maio de 2015

«Vírus limpa águas contaminadas sem fazer mal aos homens»

Ficha de Leitura nº7

Unidade: Imunidade e Controlo de Doenças/Preservar e Recuperar o Meio Ambiente

Assunto: Nova técnica, desenvolvida pela Universidade de Aveiro, consegue descontaminar águas usando um vírus  inofensivo para o  Homem.

Resumo: Investigadores do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro desenvolvem nova técnica de descontaminação das águas das pisciculturas, recorrendo a fagos (vírus inofensivos ao Homem) e não a químicos e antibióticos. Estes vírus conseguem eliminar as bactérias contaminantes, descontaminando a água, promovendo uma diminuição do risco para a saúde pública.

Noticia: 

Até agora, o que se fazia não era bonito de se ver. Para descontaminar as águas das pisciculturas era preciso lançar doses e doses de químicos e antibióticos. Toda essa poluição pode ter os dias contados. Há nova técnica desenvolvida pelos investigadores do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, que consegue eliminar as bactérias usando um vírus,  inofensivo para os homens.

A terapia fágica – assim se chama o novo método por utilizar os fagos, vírus que destroem apenas bactérias e que são inócuos para os humanos – reduz mil vezes mais o número de bactérias presentes na água e faz decrescer substancialmente o impacto ambiental e os riscos para a saúde pública derivados da utilização massiva de outros descontaminantes.

“Face à importância da aquacultura para compensar a redução das populações piscícolas naturais e com vista a diminuir as perdas económicas devidas às infecções bacterianas comuns nessa actividade, desenvolvemos um novo procedimento para descontaminar as águas piscícolas”, explica Adelaide Almeida, coordenadora deste trabalho.

Embora a vacinação seja o método ideal para impedir infecções, ressalva a bióloga, “as vacinas disponíveis são ainda limitadas e podem ainda ser pouco activas nas primeiras fases de vida dos peixes, quando o sistema imunitário ainda não está totalmente desenvolvido”. Por outro lado, avisa a bióloga, a administração de antibióticos (quimioterapia) apesar de ser geralmente eficaz, pode levar, através do seu uso frequente ao desenvolvimento de resistências, que “fatalmente acabam por se transmitir aos microrganismos que infectam os seres humanos”. O relatório da Organização Mundial de Saúde de 2013 estima inclusivamente que nenhum dos antibióticos actualmente em uso será eficaz dentro de cinco anos.

Há portanto uma “necessidade urgente” de medidas inovadoras e eficazes no combate a estas infecções, alerta a investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Academia de Aveiro. Por outro lado, de um modo geral, acrescenta Adelaide Almeida, ainda se vê o peixe proveniente de aquacultura como um produto de qualidade inferior ao peixe selvagem, o que é associado muitas vezes à presença de antibióticos. E a utilização alternativa da terapia fágica pode levar à alteração do comportamento dos consumidores relativamente ao consumo de peixe produzido em aquacultura, com vantagens evidentes para essas empresas, defendem os biólogos da Universidade de Aveiro.


Fonte: http://www.ionline.pt/270634


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