Unidade: Preservar e recuperar o meio ambiente
Assunto: Elevada concentração de gases poluentes na atmosfera.
Resumo: A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera atingiu um nível recorde em Março (400 ppm), mais um sinal evidente do aquecimento global. Esta questão tem sido alvo de discussões, mas para começar a diminuir as emissões de CO2, seria preciso reduzir em 80% o uso de combustíveis fósseis.
Noticia: Em março, a concentração mundial média mensal do CO2 na atmosfera ultrapassou pela primeira vez o patamar das 400 partes por milhão (ppm).
A concentração de CO2 na atmosfera é medida em termos de
partes por milhão, isto é, quantas moléculas de CO2 existem por milhão de
moléculas de ar seco, ou seja, depois de o vapor de água ter sido removido.
"Isto era uma questão de tempo", sublinhou o
principal cientista encarregado do acompanhamento dos gases com efeito de
estufa na agência norte-americana para os Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla
em Inglês), Pieter Tans.
Especificou que as estações de medida da agência já tinham
sinalizado a ultrapassagem das 400 ppm no Ártico, na primavera de 2012, e no
Havai, em 2013.
Agora, "atingir o patamar das 400 ppm no conjunto do
mundo é significativo", considerou o cientista.
O aquecimento global, resultantes dos gases com efeito de
estufa, vai estar no centro da conferência que a Organização das Nações Unidas
está a preparar para Paris, em dezembro.
A reunião deve conduzir a um acordo vinculativo para mais de
190 países na luta contra o aquecimento global do planeta para o limitar a dois
graus centígrados em relação à era industrial.
Até à revolução industrial do século XIX e ao recurso
massivo às energias fósseis, a taxa de CO2 na atmosfera não terá ultrapassado
as 300 ppm durante pelo menos 800 mil anos, segundo os estudos feitos no gelo
polar.
"Isto mostra que a combustão do carvão e do petróleo
causou um aumento em mais de 120 ppm as concentrações de CO2 desde a era
pré-industrial, metade da qual desde 1980", pormenorizou Pieter Tans.
A Agência Internacional de Energia anunciou em 13 de março
que o aumento das emissões mundiais de CO2, provenientes da combustão de
energias fósseis, tinha sido interrompido em 2014, quando estabilizou no nível
de 2013.
Mas estabilizar a taxa de emissões de gases com efeito de
estufa é insuficiente para impedir as alterações climáticas, sublinhou Tans.
Segundo James Butler, um dirigente da NOAA, "seria
preciso eliminar cerca de 80% das emissões de CO2 provenientes da combustão de
combustíveis fósseis para realmente parar aumento de CO2 na atmosfera".
Mas, explicou, "as concentrações de dióxido de carbono
não vão começar a diminuir antes de reduções mais drásticas do CO2 e, mesmo
depois, a diminuição as concentrações vai ser lenta".
Os dados da NOAA mostram com efeito que a taxa média de
aumento das concentrações do CO2 na atmosfera tem sido de 2,25 ppm por ano de 2012 a 2014, ou seja, o
nível mais elevado alguma vez registado em três anos consecutivos.
Sinal de que a tendência continua a ser de subida, o
observatório da NOAA no Havai, em
Mauna Loa , continuou a medir uma taxa superior a 400 ppm em abril. Este
observatório, que data de 1958 e é a mais antiga estação de medida do mundo,
registou uma taxa de CO2 de 401,3 ppm, quando em 2013 o limite das 400 ppm só
foi superado em dois dias.
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