terça-feira, 18 de novembro de 2014

VIH esconde-se na medula óssea

Ficha de Leitura Nº 1


Unidade: Imunidade e controlo de doenças
Conteúdo: Investigação facilita detecção do vírus
Resumo: Investigadores norte-americanos detectaram o método que o vírus da SIDA usa para se esconder e permanecer indetectável, de modo a lançar posteriormente novos ataques.

Segundo um estudo, publicado na Nature Medicine, o VIH permanece latente na medula óssea das pessoas infectadas.

Quando as células imaturas do sangue se tornam adultas, a propagação do vírus é reactivada.

O trabalho pode explicar o porquê dos medicamentos actua contra o vírus apenas funcionam se forem tomados durante toda a vida − quando o tratamento é interrompido, o vírus retorna e expande-se novamente.

A descoberta pode fornecer uma nova maneira de conseguir o que ainda é impossível: erradicar a SIDA.





Kathleen Collins, investigadora principal
“Para curar esta doença temos que desenvolver estratégias específicas contra as células infectadas em estado latente”, explica Kathleen Collins, da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

A investigadora, que dirigiu a investigação, identificou o ‘esconderijo' do HIV em células isoladas de amostras de medula óssea de pessoas infectadas.

Collins e a sua equipa encontraram VIH latente em células progenitoras hematopoéticas (HPC, em inglês).

Tratam-se de células indiferenciadas que gerem todas as variedades que compõem o sangue e o sistema imunológico: o principal objectivo deste vírus.

Estudos anteriores tinham mostrado que um tipo de linfócitos T, uma das células do sistema imunológico, actua como reserva do vírus. No entanto, investigações posteriores demonstravam que isto não poderia explicar por si só o mistério do reaparecimento do VIH.

Vírus indetectável

Os investigadores infectaram as células HPC com o vírus. Algumas morriam mas outras o VIH permanecia latente e indetectável com os medicamentos actuais.

Quando trataram estas células com citocinas (proteínas que as fazem desenvolver-se e converter-se em células maduras), o vírus ficou activo e a sua carga infecciosa multiplicou-se até 12 vezes.

A equipa analisou ainda as HPC extraídas de 15 infectados por VIH. O vírus apareceu nas amostras de seis pacientes que tinham a maior carga viral, mas também em quatro que há seis meses não tinham níveis detectáveis.

“Estas células poderiam manter-se vivas e conservar o VIH latente por um período extenso de tempo”, conclui o estudo.

Imagem do vírus na SIDA

Imagem do vírus na SIDA
Agora há que demonstrar se a reserva actua do mesmo modo em outros pacientes que tomam antivirais e determinar que quantidade de vírus emana dela.

Também será necessário elucidar se a medula óssea é o último ‘esconderijo’ do VIH ou se existem outros recantos onde este se possa esconder.

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