Unidade de ensino: Património genético
Conteúdo/assunto: Descoberto "gene tibetano" que permite adaptação a alta altitude
Fonte: http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=4005499&tag=Gen%E9tica
Um gene herdado de um homem primitivo, desaparecido há pelo
menos 40.000 anos, ajudou os tibetanos a adaptarem-se à vida a alta altitude,
revelou na quarta-feira um estudo publicado na revista Nature.
Trata-se de uma variante rara de um gene implicado na
produção de hemoglobina - a molécula que transporta o oxigénio no sangue - e
que se propagou pela população tibetana, assim que se fixou nos planaltos dos
Himalaias, há vários milhares de anos.
De acordo com o estudo, foi esta variante do gene EPAS1, que
surgiu no passado, que permitiu aos tibetanos sobreviverem numa atmosfera com
oxigénio rarefeito, acima dos 4.500 metros de altitude, em que o sangue da
maior parte dos humanos engrossa, causando problemas cardiovasculares.
«Temos provas muito claras de que esta versão do gene provém
do homem de Denisova», um homem primitivo que se extinguiu há 40.000 a 50.000
anos, assegurou Rasmus Nielsen, investigador da Universidade da Califórnia, em
Berkeley, nos Estados Unidos.
Para o cientista, tal mostra que «os humanos evoluíram e
adaptaram-se a novos ambientes, ao obterem os seus genes a partir de outras
espécies».
O gene EPAS1 é ativado quando a taxa de oxigénio no sangue
baixa, desbloqueando a hemoglobina para compensar essa quebra. Na maior parte
dos casos, a alta altitude produz demasiados glóbulos vermelhos, que acabam por
engrossar o sangue e provocar hipertensão e ataques cardíacos.
A variante deste gene, o "gene tibetano", tem uma
ação muito mais moderada e não conduz a efeitos tão nefastos. «Descobrimos que
uma parte do gene EPAS1 dos tibetanos é quase idêntica à do homem de Denisova e
muito diferente da dos outros humanos», assinalou Rasmus Nielsen.
Comparações com outros genomas estão em curso, para tentar
determinar em que momento da evolução o homem de Denisova se cruzou com os
antepassados dos tibetanos.
Os vestígios fósseis do homem de Denisova são, porém, raros,
reduzindo-se a fragmentos de uma falange de uma menina de 7 anos, e que foram
encontrados em 2010 na Gruta de Denisova, no sul da Sibéria.
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