Ficha Leitura nº1
Título: "Às ordens dos genes"
Unidade: Património Genético
Conteúdo: Estudo de casos de gémeos separados à nascença, para perceber se são os genes ou o ambiente o que influencia o comportamento.
Resumo: Investigadora, Nancy Segal, estudo um caso de gémeos separados à nascença de modo a conseguir comparar os seus comportamentos e se estes são influenciados pelo meu ambiente ou pelos genes.
Nancy Segal estuda casos de gémeos separados à nascença, para perceber se são os genes ou o ambiente o que influencia o comportamento.
Um dos casos mais extraordinários nas investigações sobre gémeos é o de Yufe e Oskar Storh, nascidos em 1933, fruto da união entre um judeu romeno e uma alemã católica. O casal separou-se quando os filhos tinham seis meses de idade. O pai ficou com Jack, que educou na religião judaica, na ilha de Trinidad. A mãe levou Oskar para a Alemanha, onde foi criado no catolicismo. Pareciam-se como duas gotas de água, pois partilhavam cem por cento dos seus genes, mas as experiências que viveram não podiam ser mais díspares. No protetorado britânico, Jack cresceu com o receio de que se soubesse da sua origem alemã. Por sua vez, Oskar foi recrutado pela Juventude Hitleriana. Tiveram um breve encontro em 1954, mas foi um desastre. Jack não falava alemão e ambos se olharam com temor. Dezasseis anos depois, em 1980, aceitaram participar no MISTRA (sigla de Minnesota Study of Twins Reared Apart), um estudo sobre gémeos criados em separado, dirigido pelo psicólogo Thomas Bouchard na Universidade do Minnesota.
Quando voltaram a reencontrar-se, no aeroporto de Minneapolis, as coincidências eram extraordinárias, como descreve vividamente a psicóloga evolucionista Nancy Segal (Boston, 1951), no livro Born Together, Reared Apart (“Nascidos Juntos, Criados em Separado”). Os dois eram calvos, usavam bigode e vestiam uma camisa azul com presilhas nos ombros e óculos de lentes redondas, ao estilo John Lennon. No entanto, Jack tinha estado na Marinha israelita e trabalhado num kibbutz, enquanto Oskar ganhara a vida numa mina de carvão, na zona industrial do Ruhr, na Alemanha. Durante a experiência, ambos foram submetidos a uma série de testes para determinar um perfil de personalidade. Foi como se o mesmo indivíduo estivesse a fazer as provas por duas vezes. Ambos lavavam as mãos antes e depois de irem à casa de banho, gostavam de usar elásticos nos pulsos como se fossem pulseiras e tinham a mania de tossir de propósito nos elevadores. Apesar disso, não se deram bem: pensavam de forma diferente, tinham ideias políticas opostas e as suas crenças religiosas colidiam. Assim, mantiveram uma relação de amor-ódio até Oskar morrer, em 1997.
Durante duas décadas, a equipa de psicólogos dirigida por Bouchard estudou casos semelhantes, num total de 81 pares de gémeos que foram separados muito cedo, e 56 pares de falsos gémeos. A diferença entre uns e outros é substancial. Enquanto os gémeos verdadeiros são cópias idênticas, nascidos da fecundação de um único óvulo que se divide em dois, os falsos provêm de dois óvulos e espermatozoides diferentes, e partilham apenas metade dos genes, como todos os irmãos e irmãs. Apenas se distinguem destes por nascerem ao mesmo tempo.
Fonte: http://www.superinteressante.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=2704:as-ordens-dos-genes&catid=3:artigos&Itemid=77
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