Ficha de leirtua nº6
Unidade: 2. Patrimonio genético
Assunto: Investigadores descobrem que alteração cromossómica
pode causar um cancro infantil.
Resumo: Uma equipa internacional, que contou com também com a
participação portuguesa, descobriu que uma certa alteração cromossómica aumenta
cerca de 2700 vezes o risco de um tipo de leucemia linfoblastica aguda, o
cancro infantil mais comum.
Noticia:
Uma equipa internacional de investigadores descobriu que uma
determinada alteração cromossómica aumenta em 2700 vezes o risco de um subtipo
de leucemia linfoblástica aguda, o cancro infantil mais comum. O estudo,
publicado recentemente na revista Nature, teve a participação do Serviço
de Genética do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto.
A equipa internacional descobriu que os indivíduos que são
portadores de uma fusão entre os cromossomas 15 e 21 têm uma predisposição 2700
vezes maior para aquele tipo de leucemia. O estudo descreve os mecanismos
cromossómicos que estão subjacentes a este subtipo de leucemia aguda, que tem
mau prognóstico.
"Este risco aumentado relaciona-se com o facto de
aquele cromossoma alterado ter dois centrómeros, o que faz com que possa ser
puxado simultaneamente para as duas células filhas durante a divisão celular.
Este processo origina várias quebras cromossómicas que resultam em alterações
genéticas mais complexas que depois originam a leucemia", explicou Manuel
Teixeira, director do Serviço de Genética do IPO/Porto.
Esta descoberta "ajuda a perceber que quem tem estas
alterações cromossómicas, que são herdadas [dos pais], tem maior predisposição
para este tipo de leucemia, permitindo, assim, que as pessoas fiquem mais atentas
e possam fazer uma vigilância mais apertada", disse Manuel Teixeira.
Os portadores dessa anomalia genética, "poderão fazer
uma espécie de rastreio (uma análise ao sangue) regularmente para garantir que
a doença é detectada o mais cedo possível, permitindo-lhes iniciar o tratamento
precocemente".
O investigador Manuel Teixeira salientou que "não é
certo que todos os indivíduos com esta alteração cromossómica venham a sofrer
de leucemia, embora o risco seja muito elevado".
Este trabalho mostra ainda que as pessoas que não têm aquela
alteração cromossómica podem também desenvolver leucemia linfoblástica aguda
por um mecanismo cromossómico ligeiramente diferente, mas a probabilidade de
tal ocorrer é muito inferior.
Este tipo de leucemia é o cancro mais comum em crianças e o
subtipo de leucemia associada à fusão do cromossoma 15 com o 21 representa
cerca de 2% dos casos.
A leucemia linfoblástica aguda mais comum em crianças está
associada a outras alterações cromossómicas identificadas anteriormente e
apresenta taxas de sobrevivência acima de 90%, mas o subgrupo estudado agora
tem ainda um mau prognóstico.
Por não ser uma alteração muito comum, foi necessário reunir
vários casos de países diferentes. Por isso, o trabalho envolveu a participação
de laboratórios do Reino Unido, França, Bélgica, EUA e Portugal.
Fonte: Publico - http://www.publico.pt/ciencia/noticia/alteracao-cromossomica-aumenta-2700-vezes-risco-de-subtipo-de-leucemia-1631445
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